tigres

no século XVIII, o mineiro claudio mauel da costa, lá em ouro preto, escreveu soneto revelando que a alma do poeta vinha dos penhascos… o soneto é o XCVIII, começa assim: “destes penhascos fez a natureza, o berço em que nasci (…)”. nele, o poeta expõe surpresa ante o fato de que apesar de ter nascido das pedras, ostenta uma alma terna, “peito sem dureza”. mas o verso que mais gosto é o quinto: “amor, que vence os tigres por empresa“. o pequeno poema reflexivo e narrativo dá conta que o fato do berço ter sido áspero e duro não é páreo ao amor… o sentimento faz render qualquer ser bravo ou rude.
claudio, com certeza, nunca viu um tigre, felino inexistente na américa latina, mas deve ter ouvido falar… daí a referência pesada, respeitosa e tensa. cláudio não é o melhor poeta brasileiro. perde feio para joão cabral, perde para mário faustino e gonçalves dias. empata com castro alves, se tanto; e fica à frente dos demais. a mim, este é o verso do poeta que o consagra… é verso que personifica o amor em forma de mito e dá ideia de uma guerra de fome, sensualidade, incorporação da presa e muito sabor.

Sobre carneiro

letradeletra é heterônimo [ carneiro ] professor, escritor, vlogger, cozinheiro e lunático
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