circo

calvin-100 a revista “educação” nunca foi lá muito séria, mas desta vez, como se diz lá em ribeirão preto, “chutou o pau da barraca”. a revista deu destaque a uma estratégia pedagógica usada numa escola pública, em mauá, grande são paulo (ver anexo, ao final). lá, professores se travestem de palhaços, bufões, para — segundo eles — tornar as atividades mais lúdicas. tristeza profunda eu sinto. a ideia de quem coordena a coisa é chamar a atenção do aluno porque estariam dispersos. melhorar a aula, que é bom, nem pensar, não é? por que transformar tudo em entretenimento? por que acreditar que absolutamente tudo, na vida de uma criança, precisa passar pelo riso e pelo patético? por quê? professores que não interagem com alunos acabam sofrendo. em seguida, reclamam com a direção por conta da dispersão de seu público. professores ruins acham que o ensino sai de sua boca e entra pela orelha de seu jovem auditório, sem esforço, por pura ação das ondas sonoras. daí a necessidade do tal silêncio na sala. morro de medo disso. silêncio é, quase sempre, opressivo. há momento de se ouvir e falar, em uma aula. do contrário, não é aula, é exposição de coisas… e isso dispensa professor. ele é educador e não painel informativo de conteúdos.
olhem, o teatro pode sim ser usado como ferramenta que complementa projetos desenvolvidos em sala, eu sei e você também sabe. agora, travestir o professor de palhaço para que ele consiga ser visto, na frente, da sala, é de chorar. estou triste, com vergonha alheia. já escrevi aqui e vou repetir: educação se dá na troca; na interação; no debate; na produção, e não desta forma. pior: a questão da arte acaba em terceiro plano… ela não tem valor em si, apenas serve para chamar atenção. que triste. esses professores e a coordenação deveriam procurar outra estratégia para o ensino. observar se há disparidade nos rendimentos dos alunos, na sala; propor novas atividades orais, sair da sala e levar os alunos a outro ambiente, mas manter seriedade é fundamental pois abaliza o discurso. seriedade não é braveza, é bom que se diga. tomara que a sessão circense acabe sem precisar dos elefantes.

clique e tente compreender a façanha da escola

Sobre carneiro

letradeletra é heterônimo [ carneiro ] professor, escritor, vlogger, cozinheiro e lunático
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2 respostas para circo

  1. Sonia Moraes disse:

    Vergonha alheia, tristeza, desencanto…. Por essas e outras, ando em fase de deixar de ser janela pra ser pedra… Só que, nesse caso, jogaria, sim, uma pedra na janela de quem acha que “recurso pedagógico” é algo que se encontra no descarte… Mas cada um faz o que acha que deve para alcançar seus 10 minutos de fama…

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  2. Edson Capellato Jr disse:

    Vergonha alheia! Resume bem o que tb senti.

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