o problema é sempre o outro

encontre_o_xquase semprepela internet,  recebo ou vejo em posts alheios exemplos de respostas em provas feitas por alunos supostamente brincalhões ou ignorantes, como neste caso do xis.
pior: vira motivo de mau exemplo para todos. 
no mínimo, é uma questão ética, apenas. o aluno que responde ironicamente traz uma péssima relação com o conteúdo ou com o contexto todo que cerca uma avaliação. muitos professores reclamam — com alguma razão — que o problema é educativo familiar, que não estão ali pra isso etc etc. e o problema continua. custa rever métodos de trabalho? pedir ajuda aos colegas? tirar o olho do próprio umbigo?
voltando à prova, digo que ela é indefensável. não sei se haveria, objetivamente, outra resposta a não ser a que foi dada! “encontre o x”. simples assim. claro está que verbos de comando foram desprezados por quem fez a proposta. omitiu até expressões que se dizem, oralmente, em momentos de aula. mais claro seria: “a partir dos dados, na imagem, calcule o valor de x”. sinceridade, acho ridículo que imagens como esta venham ilustrar — como se vê nas redes sociais — nossa “crise educacional”. e a tal crise reside apenas no cérebro do aluno? a questão, nesta prova, está mal feita, ponto.
por que defendo o estudante? a questão não é de “defesa”, mas busca de uma relação clara entre as duas partes. quando a postura de um jovem é inadequada, prontamente os professores apontam, expõem, buscam a correção. agora, a recíproca nunca é verdadeira. adultos supostamente educadores estão sempre prontos a colocar a responsabilidade no estudante, sempre, sempre… e o problema continua. vejam este episódio, abaixo:
adequada

outro exemplo clássico do “tiro no pé”. a intenção de quem espalhou isto (e nem precisaria ser o próprio educador) é claramente ridicularizar o estudante. eu tenho medo. a questão é clara! complete com a palavra “adequadas”. com certeza, o estudante aqui ganhou “zero” e deve ter sido levado a crer que o problema estava nele e não na questão ridiculamente formulada.
menos arriscado, seria: “escolha uma das palavras destacadas para completar adequadamente os espaços“. todo mundo aprenderia com uma relação clara, que não despertasse chance de ambiguidades. elas ocorrem porque, quase sempre, a avaliação é trincheira de muitas salas de aula; ela costuma ser usada como instrumento de punição, ameaça… o que é nada pedagógico.

Sobre carneiro

letradeletra é heterônimo [ carneiro ] professor, escritor, vlogger, cozinheiro e lunático
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6 respostas para o problema é sempre o outro

  1. Sonia Moraes disse:

    a explicação é simples: “Houve um tempo em que professores tinham boa formação e sabiam ler e escrever!”. Simples assim.

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  2. sanflosi disse:

    Transversalidade e transdisciplinaridade passaram longe aí, hein? Como assim, numa prova (qualquer!) o aluno questionar se é de gramática. Mas, infelizmente, se ele faz isso, é porque a conduta de algum professor o leva a isso…

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    • letradeletra disse:

      pois é… há quem questione o prof que não é o “de-gramática” por alguma correção em seu texto… falta corporativismo aí, nesse caso…rsrs… se o aluno faz isso, concordo, é porque veio do mundo perdido mesmo… foi criado assim… ô vida

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  3. sanflosi disse:

    Excelente análise! E parabéns pela ousadia do tema. Afinal, um pouquinho de corporativismo teria feito você travar ao publicar isso.
    Vejo aí dois problemas: além do já analisado “o problema está no outro”, fruto da sociedade moderna neoliberal individualista, há a incapacidade dos professores em se expressar. Falta leitura, falta cultura, falta interesse em exercer a profissão da melhor forma. Às vezes vejo alguns textos nas redes sociais, escritos de forma tão precária e preguiçosa que custo a acreditar que sejam a sério. E as pessoas estão levando esses hábitos para seus ambientes se trabalho.

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    • letradeletra disse:

      o mais terrível, sandra, é a divisão taylorista / fordista, nas bancas escolares: tratar, por exemplo, a língua portuguesa com seriedade, fica a cargo do professor de português… e olhe que às vezes, nem o prof de literatura tem autonomia (raros casos) de valorizar a norma padrão porque o aluno questiona (“a prova é de gramática?”)… dureza….
      sei que o tema é espinhoso, mas já fiz parte da curva da bandeirada …rsrs… e a luta segue!

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  4. bia disse:

    Arrasou!!!

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